Procrastinação: a verdadeira natureza desse comportamento e como contorná-lo

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20/02/2019

 

 

 

 

 

 

 

O que é procrastinação

 

Cientistas definem a procrastinação como o atraso voluntário de uma ação, apesar das consequências negativas futuras previsíveis. É optar pelo prazer ou humor de curto prazo às custas do longo prazo.

O comportamento não deve ser confundido. Por exemplo, se você não terminou de preparar uma apresentação no fim de semana porque recebeu hóspedes em sua casa, isso é apenas atraso intencional com base em uma decisão racional, explica Timothy Pychyl, professor de psicologia na Universidade de Carleton, nos EUA, que estudou extensivamente o tema.

 

“A procrastinação é: ‘Eu sei que eu deveria estar fazendo isso, eu quero fazer isso, me irrita quando eu não faço’”, explica Pychyl.

 

“Não deixe para amanhã o que podemos fazer hoje”, a sua mãe buzinava no seu ouvido. Mas faltou que ela complementasse com “pense de maneira prática”.

Um estudo feito pela Universidade de Konstanz, na Alemanha, teve como objetivo estabelecer uma relação entre o modo como vemos nossas tarefas e a tendência em adiá-las. Os psicólogos que fizeram a pesquisa enviaram para um grupo de estudantes um questionário para ser respondido em três semanas.

Esses estudantes foram divididos em dois grupos. O primeiro deveria pensar de forma abstrata nas tarefas. Deveriam pensar, por exemplo, que tipo de pessoa tem uma conta no banco. O segundo grupo deveria pensar mais concretamente, apenas analisando as atividades a serem feitas para completar a tarefa, como falar com um gerente, preencher formulários.

E a diferença nesse dois modos de pensar é significativa. Pensar de maneira concreta faz com que realizemos as atividades mais rapidamente. Inclusive, os estudantes do segundo grupo enviaram as respostas do questionário mais cedo. Já no primeiro, há quem nem tenha respondido.

 

Mas cuidado, pesquisadores dizem que a procrastinação crônica é uma estratégia emocional para lidar com o estresse, e pode levar a problemas significativos nos relacionamentos, na profissão, nas finanças e na saúde.

 

Por que isso acontece

Procrastinadores crônicos geralmente se equivocam sobre por que procrastinam e o que isso significa. Muitos acreditam que não podem começar uma tarefa porque querem fazê-la perfeitamente e não sabem por onde iniciar.

No entanto, de acordo com Piers Steel, professor de comportamento organizacional na Universidade de Calgary, no Canadá, estudos mostram que a procrastinação crônica não é realmente ligada ao perfeccionismo, mas sim à impulsividade, que é uma tendência de agir imediatamente. Pessoas altamente impulsivas “desligam” quando sentem ansiedade. Elas têm dificuldade em lidar com emoções fortes e querem fazer algo para se livrar dos sentimentos ruins.

Algumas pessoas afirmam que propositadamente deixam as coisas para a última hora porque trabalham melhor sob estresse, mas os verdadeiros procrastinadores ficam estressados pelo atraso. É discutível se a qualidade de seu trabalho é realmente melhor do que se tivessem começado mais cedo, segundo Pychyl.

Especialistas dizem que as consequências da procrastinação crônica ou extrema podem ser sérias: casamentos acabam, pessoas perdem seus empregos e muitas vezes se sentem como impostoras.

 

Saúde física

Fuschia Sirois, professora de psicologia na Universidade de Sheffield, na Inglaterra, recentemente começou a estudar os efeitos da procrastinação em doenças crônicas.

Os efeitos de saúde mental da procrastinação são bem documentadas: procrastinadores habituais têm taxas mais altas de depressão e ansiedade e pior bem-estar. Pouco é conhecido sobre os efeitos físicos, entretanto, especialmente graves problemas de saúde.

Dra. Sirois e seus colegas descobriram que procrastinadores com hipertensão e doenças cardíacas eram menos propensos a se envolver em estratégias ativas para o enfrentamento da doença, tais como encontrar um significado ou tomar medidas para melhorar. Eles eram mais propensos a adotar comportamentos desajustados, como culpar-se pela a doença e tentar esquecê-la.

 

Pequenas ações, grandes resultados

O Dr. Steel está ajudando a desenvolver um novo software com uma empresa de Hong Kong, Saent, destinado a atrasar o carregamento de sites como o Facebook por 15 segundos ou mais, além de criar a necessidade de uma senha antes de navegar na web, por exemplo.

Às vezes, esses pequenos “esforços” são tudo o que é preciso para dissuadir os procrastinadores de procurar uma distração.

“Se você é um procrastinador ocasional, pare de pensar sobre seus sentimentos e pule para a próxima tarefa”, diz o Dr. Pychyl. “Mas se você é um procrastinador crônico, pode precisar de terapia para entender melhor suas emoções e como você está lidando com elas através do adiamento de tarefas”. [WSJ]

 

Fonte: Hypescience